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Cidade de Itamonte - Minas Gerais

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Cidade Itamonte - Minas Gerais

"O pessoal do Rio e São Paulo vem aqui e fica doido. É um sossego de tranqüilidade", diz Paulinho, o motorista que nos guiou pelos caminhos de Itamonte, sul de Minas. Pleonasmos à parte, ele tem razão. A cidade é um primor em belezas naturais, um rincão ainda pouco conhecido na fronteira dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Picu, símbolo da cidade

Pequena cachoeira nas margens da BR354          

Pela estrada o visitante tem um idéia do que virá pela frente. De repente a paisagem muda, o trajeto fica mais sinuoso e as curvas fechadas. Os carros passam desapressadamente... A culpa é da natureza: a preocupação aqui, além de chegar, é se deliciar com o passeio. Nos poucos acostamentos dá para tirar até belas fotos da estrada (quem diria, de uma estrada!) e encontrar uma charmosa cascata, andando apenas uns 30 metros. Em Itamonte o visitante tem o prazer de descobrir.

Escondida num vale da Serra da Mantiqueira, Itamonte guarda preciosidades para aqueles que curtem a natureza, seja para a prática de esportes ou para um merecido descanso. Os principais rios, Capivari e Aiuruoca, junto com outros coadjuvantes não menos belos, descem as montanhas em corredeiras e cachoeiras cinematográficas. Todas convidam a um refrescante banho nas abundantes e cristalinas águas da região.

Poucos lugares tão perto do eixo Rio - São Paulo - Belo Horizonte podem reservar tantas surpresas não exploradas quanto Itamonte. Os visitantes que estão chegando confirmam a vocação turística da cidade, qualificada pela Embratur como Município com Potencial Turístico. Itamonte faz parte do Circuito "Terras Altas da Mantiqueira", que reúne mais oito municípios da região (Itanhandu, Alagoa, Passa Quatro, São Sebastião do Rio Verde, Virgínia, Pouso Alto, Marmelópolis e Delfim Moreira). Alguns privilegiados já descobriram suas paisagens e encontraram aquilo que o Paulinho definiu muito bem: "Itamonte é um sossego de tranqüilidade".

Itamonte: paraíso da montanhas     A estrada já um convite ao deleite

A variação da altitude, entre 900 e 2670m, impressiona. Da cidade é possível ver os contrafortes e as montanhas, lá em cima, com suas encostas íngremes.

O próprio nome Itamonte sugere, embora não tenha relação direta com esta característica. Vem da mistura do tupi Ita (pedra) com monte, daí Monte de Pedra. Esta menção refere-se a um imenso e solitário bloco de pedra no alto de um maciço, popularmente conhecido na cidade como Picú. Ele funcionou como ponto de referência para os primeiros exploradores que adentraram por Minas. Bandeirantes em busca de riquezas, especialmente o ouro, tão apreciado pela Corte Portuguesa. As primeiras expedições datam já do século XVI. Depois vieram os tropeiros, em seu vai-e-vem incessante no comércio dos mais diversos produtos.
         
Fazenda do Engenho, onde pernoitou a princesa Isabel

Represa construída no governo Vargas, para pouso de hidroavião (brejo da Lapa)

Há poucos anos a cidade era apenas uma passagem obrigatória para quem ia do Rio ou São Paulo para o Circuito da Águas (São Lourenço, Caxambu, Lambari e Cambuquira), famoso pelas fontes medicinais. Esse mesmo caminho era usado pelos tropeiros, que intercambiavam mercadorias entre o Rio de Janeiro e o interior da província de Minas. O carregamento de ouro também passava por ali, vindo de Vila Rica (atual Ouro Preto), e seguia para o porto de Parati, de onde zarpava para as terras lusitanas. O metal precioso geralmente era escondido entre as demais mercadorias para não levantar suspeitas e havia na Garganta do Registro - bem na divisa RJ/MG - um entreposto fiscal para controlar e fiscalizar o montante e recolher os impostos. Um muro de pedra com um grande portão existia no local. Infelizmente não há mais vestígios desta construção, restando ao visitante uma parada para se refrescar com a deliciosa água da fonte construída no lugar.

Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro criado no Brasil Usina hidrelétrica dos Braga, já desativada          

Ali mesmo, à direita de quem chega, está a estrada para o Parque Nacional do Itatiaia. Este foi o primeiro a ser criado no Brasil (1937), a mando do então presidente Getúlio Vargas, entusiasmado com a região. Sua posição estratégica despertara o interesse do presidente já em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, movimento separatista que pretendia fazer de São Paulo um Estado independente. Getúlio mandou construir a Casa de Pedra: Itatiaia seria seu refúgio no caso de uma reviravolta ou eventual invasão do Palácio do Governo durante a Revolução. A estrada, parte do parque, a casa e o principal acesso ao Pico das Agulhas Negras (2787m) ficam dentro do município de Itamonte. O pico entretanto fica no Estado do Rio.

No sopé da Pedra do Picú, na fazenda Engenho da Serra, repousou a Princesa Isabel, que frequentemente viajava para o Circuito da Águas. A Capela de São Francisco de Assis, no centro da cidade, foi construída por ordem da princesa, que doou o sino.

A cidade, com pouco mais de 10 mil habitantes, é tipicamente mineira e o maior movimento fica por conta da BR354, que praticamente a divide em duas partes. Todavia, bom mesmo é poder descobrir as maravilhas de suas belas paisagens, a hospitalidade de seu povo e o sossego do seu dia-a-dia.

Este potencial começa a ser explorado, fato perceptível nas pousadas que existem e nas que estão surgindo na região. A partir delas podemos desfrutar de variadas opções de lazer. A melhor maneira de conhecer os arredores e a zona rural de Itamonte inclui dois circuitos principais. O primeiro pode ser feito tranqüilamente em um dia, passando pelas localidades de Colina e Fazenda Velha. Mais do que o cenário, este trajeto revela como é a vida das pessoas do campo. Não perca a oportunidade de prosear e quem sabe saborear o mel e os deliciosos doces produzidos artesanalmente. Carros de passeio, desde que não sejam muito baixos, podem passar com cuidado, mas o ideal mesmo é que sejam apropriados para estradas de terra.
         
Matriz de São José, no centro da cidade

Belas paisagens a cada curva da estrada

Usina dos Bragas, Berta, Fragária, Campo Redondo e Vargem Grande fazem parte do segundo circuito e também podem ser percorridos em um dia. Entretanto o ideal é reservar mais tempo, se estabelecer em uma das pousadas confortáveis (em Berta e Vargem Grande, por exemplo). Algumas alugam chalés, oferecem estacionamento na cidade e transporte, visto que em determinados trechos é praticamente impossível passar com carros comuns. Feita a escolha basta então relaxar e percorrer os caminhos das montanhas em busca de rios, cachoeiras, mirantes e lugarejos bucólicos.

Campo Redondo Campo Redondo Trilha na região do Engenho da Serra          

Campo Redondo é desses lugares. Repousado em uma baixada circular (daí o nome), o povoado tem uma história curiosa. Lá quase todo mundo tem o sobrenome Fonseca e muitos possuem olhos claros (verdes ou azuis). Mário Fonseca, dono da Fazenda Engenho da Serra, conta que tudo começou com um português, que para lá se mudou com uma escrava negra. Deles descendem todos os Fonsecas e o curioso é que nenhum possui as características desta miscigenação. Desde então a família permaneceu quase que fechada, tornando-se comum a união entre primos. Com o tempo começaram a surgir doenças e alguns problemas genéticos. "Veio um médico e aconselhou o pessoal a casar com gente de outros lugares", diz. Além de uma boa história, Campo Redondo compõe uma paisagem de filme, com suas casas coloridas e cercada por colinas e bosques de um verde impressionante com suas araucárias. Parece desenhada à mão... Como se não bastasse a poucos quilômetros está um verdadeiro cartão postal: a cachoeira da Fragária.

De Campo Redondo, seguindo por entre as montanhas e margeando o Aiuruoca, chega-se à região de Serra Negra ou então até Vargem Grande, onde o clima lembra os Alpes e pôr do sol é inesquecível. Nesse ponto, a mais ou menos 2000m, podemos nos dar conta de quão isolados parecemos estar do mundo. É o recanto ideal daqueles que querem esquecer de tudo.

Para quem já chegou até aqui e tiver disposição, vale a pena esticar o passeio e entrar nos limites do Parque Nacional do Itatiaia, ainda no município de Itamonte. De lá duas opções se apresentam: subir até o Pico das Agulhas Negras - com uma caminhada íngreme - ou então descer, passando pela Casa de Pedra e finalmente atingindo a Garganta do Registro. Mais alguns quilômetros pelo asfalto e lá está Itamonte. Se tiver tempo não deixe de conhecer neste trecho a Cachoeira Casa Alpina (à esquerda) e a região de Engenho da Serra (descendo mais um pouco à direita).
         
A vida simples da população rural Parque Nacional de Itatiaia

Depois do Engenho da Serra, descendo mais pela BR354, chega-se à Capelinha (entrada à direita), onde se tem acesso ao primeiro circuito sugerido, passando pelas localidades de Fazenda Velha e Colina. Completa-se, desta maneira, os dois passeios.

As cachoeiras dão um espetáculo à parte. É uma mais bonita que a outra. Vale destacar a da Fragária, a da Conquista (de acesso mais difícil), a da Usina (junto à represa) e a da Casa Alpina. Itamonte se distingue ainda por possuir a nascente mais alta do Brasil: a do rio Aiuruoca.

Itamonte é o que se poderia dizer "Paraíso", inclusive das águas. Estar aqui é ser desbravador; é se encantar com o estado selvagem de sua natureza. Qual foi nossa surpresa quando, ao fazer uma curva no caminho para Campo Redondo, nos deparamos com a impressionante cachoeira da Fragária. Vale a pena conferir de perto esta preciosidade. Despencando de uma enorme pedra, as águas deslizam por um majestoso cânion. De encher os olhos.
         
Cachoeira Casa Alpina Cachoeira da Fragária

Para os menos aventureiros não faltam opções. A cachoeira Casa Alpina fica atrás do hotel de mesmo nome. Ideal para banhos e para os que não dispensam o conforto. As crianças, e também os adultos, vão adorar a cachoeira do Escorrega. Um escorregador natural proporciona uma tarde de bastante divertimento. Antes da Escorrega fica a cachoeira da Usina dos Braga, com a represa e as instalações e casa de máquinas da antiga usina, que não funciona mais.

Pequena cascata do Zé Lima Cachoeira do Escorrega Cacheira da Conquista (parte baixa)          

Quem não dispensa um pouco de adrenalina e aventura tem nas corredeiras do rio Aiuruoca uma atração imperdível. No vale da Fragária o trajeto é ideal para a prática de canoagem, bóia-cross ou mesmo um delicioso banho. O nome da última cachoeira que vamos sugerir já diz tudo: Conquista. Percorrendo às vezes pelo meio do rio, com água até o pescoço, chegar até a queda garante um pouco de privacidade, uma vez que poucos se animam ao percurso de meia hora. Prepare-se para molhar a roupa!

Seja qual for sua escolha não se preocupe: são todas lindas. Se tiver tempo e disposição visite uma a uma. Para maiores informações quanto à localização, acesse o mapa anexo a esta matéria.
 

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