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Cidade de Itanhandu - Minas Gerais

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Cidade de Itanhandu - Minas Gerais

E a serra chora...
     
Um horizonte carregado se debruça sobre a Serra da Mantiqueira. São as chuvas de verão, que se confrontam com a muralha de pedra. A vitalidade desse encontro impressiona. Estamos em Itanhandu, uma das portas de entrada para as Minas Gerais; terra de muitas nascentes, onde as montanhas mineiras parecem chorar.

Esta pequena cidade, bem ao sul do estado, acompanha de perto esse espetáculo. Situada num formoso vale, recebe as águas que fluem emolduradas pelas escarpas da Mantiqueira, compondo um cenário sem igual. Os principais rios (Verde, Itanhandu, Posses e Vermelho) formam muitas cachoeiras e corredeiras, proporcionando ao turista horas de muita tranquilidade e lazer.

A variação de altitude, entre 890 a 2.665 metros, é de causar vertigem. A terra vai de encontro ao céu. Ao mesmo tempo que impressionam, as montanhas servem como uma barreira natural, retendo parte da umidade vinda do litoral do Rio de Janeiro. Isto garante a exuberância das nascentes o ano inteiro e contribui para o clima agradável da região.

Todo este enorme potencial turístico começa a ser explorado, aproveitando-se as características geográficas favoráveis. Esportes radicais como o montanhismo, motocross, vôo livre e jeepismo encontram excelentes locações, bem como outros esportes mais tranquilos, incluindo-se aí as caminhadas, cavalgadas e bóia-cross. O leito da antiga estrada de ferro também registra muitas curiosidades e preciosidades, configurando um fator de atração turística. Cabe ao visitante fazer sua opção.
         
Rio Verde, próximo á cachoeira Vô Delfim

A beleza do vale do rio Verde

Cachoeira Vô Delfim

Itanhandu é um nome enigmático, que pode soar estranho num primeiro momento. Mesmo assim engana-se quem pensa tratar-se de um destino distante. A cidade faz parte do circuito turístico "Terras Altas da Mantiqueira", que engloba outros seis municípios, ficando muito próxima das capitais Rio de Janeiro e São Paulo. Vale a pena conhecer e sentir de perto o magnetismo das montanhas de Minas Gerais, cuja porção mais bela se encontra na região.

Itanhandu é um refúgio, seja em tempos de paz ou de guerra. O desafio de vencer as montanhas traz alento e segurança àqueles que conseguem transpor sua altivez. Foi assim com os primeiros bandeirantes que alcançaram Minas Gerais, o mesmo acontecendo aos tropeiros e intermináveis viajantes.

Represa da antiga usina          

Corria o final do século XVI quando foram ouvidos os primeiros passos dos exploradores europeus. Tudo era novo e desconhecido para esses homens rudes, que rasgavam impiedosamente a magnífica Mata Atlântica. Surgia o primeiro caminho ligando o litoral a uma terra rica em ouro e pedras preciosas, hoje chamada Minas Gerais.

O Caminho Velho passava por Itanhandu. Foi usado para escoar o ouro e outras riquezas de Minas para o porto de Parati, no Rio de Janeiro. Já na primeira metade do século XVIII havia no local um pequeno povoado, cercado por algumas fazendas. Surgiria mais tarde um arraial, denominado Barra do Rio Verde. Foi-se o ouro - cujas minas estavam praticamente exauridas no final do século XVIII, mas o movimento nunca cessou. Mesmo o surgimento do Caminho Novo (passando pelas cidades de Petrópolis, Juiz de Fora e Barbacena) não diminuiu o trânsito. A velha estrada continuava sua história no vai-e-vem dos tropeiros que abasteciam o intenso comércio mineiro.

Em 1884 a inauguração da Estrada de Ferro Minas-Rio, última grande obra do império, trouxe um novo impulso à região. Uma das estações ficava em Itanhandu e no seu entorno surgiram novas residências. A indústria floresceu, trazendo um desenvolvimento nunca visto. Naquela época era intensa a procura pelo poder curativo das fontes do "Circuito das Águas" (Caxambu, São Lourenço, Cambuquira e Lambari). O nome Itanhandu foi oficializado em 1904. Dezenove anos depois o local conquistaria sua independência administrativa.
         
A arquitetura imponente do início do século XX

Dois fatos históricos ficaram marcados na história de Itanhandu: a Revolução de 1930 e a de 1932. Ambas foram de curta duração, entretanto mudaram os rumos do país. A primeira deu o poder a Getúlio Vargas, candidato derrotado à presidência, alegando fraudes no processo eleitoral, dominado por velhas oligarquias. De São Paulo eclodiu o movimento de 32, exigindo o fim do governo provisório de Vargas e a convocação de novas eleições. Nos dois acontecimentos a cidade ficava exposta a conflitos armados entre Minas e São Paulo, em vista de sua posição estratégica de fronteira. Toda a população era retirada e as luzes apagadas à noite. Dos combates de 32 participou um jovem tenente médico, futuro governador de Minas e presidente do Brasil. Juscelino Kubitschek declararia mais tarde a amigos: "minha carreira política começou em Itanhandu".

Cercado pelos contrafortes da Mantiqueira, num vale profundo e plano, corre o rio Verde. Principal atração turística de Itanhandu, em seu leito o turista encontra de tudo um pouco: aventura, tranquilidade, contemplação e belas paisagens.

Há milhares de anos o rio Verde desce a serra, recebendo as águas de afluentes como o ribeirão Vermelho, rio Posses, Imbiri e o Itanhandu, que batizou a cidade. No seu percurso é possível ver pedras ou seixos redondos, esculpidos pelo movimento das águas. Essas pedras que rolaram montanha abaixo ao longo dos tempos foram traduzidas pelos índios como Itanhandu, ou Pedra da Ema. Os índios costumavam chamar o bicho ema de "nhamdu", cujo significado no tupi é "corredeira". Disto surgiu o topônimo.

Em toda sua extensão o rio Verde forma belas corredeiras e cachoeiras. Os pontos que mais se destacam são a corredeira Pinicão, os poços Maluquinho e Cipó, além das cachoeiras Vô Delfim e da Usina. Todos eles são concorridos nos dias mais quentes. Contudo é possível encontrar recantos mais tranquilos, basta relaxar e se deliciar! O fácil acesso é garantido por uma estrada de terra, que segue junto à margem do rio Verde.
         
Cachoeira Vô Delfim Os seixos redondos encontrados nas margens do rio Verde deram origem à palavra Itanhandu

Corredeira Pinicão

Rio Verde

O cenário de montanha reserva ainda belas paisagens. Várias trilhas serpenteiam a serra e proporcionam maravilhosas caminhadas e cavalgadas. As pousadas oferecem estes passeios. Itanhandu está se desenvolvendo para o turismo, aproveitando o enorme potencial para as mais diferentes atividades.
 

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