| Cidade Lima Duarte - Minas Gerais |
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+ Publicidade Cidade Lima Duarte - Minas Gerais
Um vento frio corta um pedaço especial de serras da Zona da Mata Mineira. Junto com os primeiros raios de sol ajudam a dissipar uma densa névoa, revelando paisagens de tirar o fôlego do mais experiente viajante. é assim durante quase todo o ano em Ibitipoca, um pequeno e dos mais belos parques de Minas. Lá fendas se abriram pela força dos ventos e das águas. A natureza foi primorosa, cobrindo com uma rica fauna e flora o que já era um éden geográfico. Piscinão no Rio do Salto Cachoeira da Pedra Furada vista de cima Lima Duarte é o portão de entrada para este paradisíaco recôndito mineiro. A cidade foi brindada por uma excepcional natureza. Repousa em um relevo que parece ter sido desenhado à mão, onde águas despencam em incontáveis cachoeiras. Um lugar em especial merece destaque dentro deste mosaico. Seu nome: Parque Estadual de Ibitipoca. Se Lima Duarte é o portão de entrada, cabe a Conceição de Ibitipoca dar as boas vindas. Por muito tempo parado no tempo, o distrito é um dos mais antigos povoados de Minas. Primeiro viveu do ouro, depois da agricultura, agora chegou a vez do turismo. Pouco a pouco este pequeno lugar é tomado por pessoas ávidas em saborear e desvendar seus mistérios e belezas. Com pouco mais de cem construções, Conceição de Ibitipoca vai ganhando novos contornos. São novas pousadas, restaurantes e afins. A situação preocupa pela forma desordenada de ocupação do solo. A comunidade de Ibitipoca percebeu isto e já começou a se organizar para melhor receber o turista, buscando ao mesmo tempo a preservação do rico acervo cultural e natural da região. Visto de cima o parque tem um formato que lembra o de uma ferradura. Sorte dos visitantes, que têm a sua disposição 1.488 hectares de pura descoberta. São cachoeiras, grutas, lagos, corredeiras, cânions e fabulosos mirantes, destacando-se o do Pico do Pião (1762m) e o da Lombada (1784m), este último o ponto mais elevado de Ibitipoca. Dividindo a bacia do rio Grande e a do Paraíba do Sul, a serra é berço de diversas nascentes. Os ribeirões Bandeira, da Conceição e o córrego do Pilar, além dos rios do Salto e Vermelho, serpenteiam pelas encostas, proporcionando um espetáculo à parte. O rio Vermelho é, sozinho, responsável por uma visão de sonho, a Janela da Céu. A sensação ali é de poder tocar o horizonte. Ele parece estar a poucos metros. Ali a terra encontra o céu! Já o rio do Salto forma uma extensa sucessão de cachoeiras, esculpindo preciosidades como a Ponte de Pedra, um túnel natural que pode ser percorrido por cima ou por dentro. A serra tem um nome gostoso de pronunciar, que flui espontâneo como suas águas. Foram os índios Aracis (ou Araris), os primeiros habitantes deste éden, que melhor definiram Ibitipoca. No tupi-guarani ibi significa "pedra" e oca "casa, montanha partida". Pode-se interpretar ainda ibitu (ventania) e pug (estrondo). Nada mais oportuno. Lago das Miragens Janela do Céu Ibitipoca é a serra da ventania, uma fenda retorcida, uma acolhedora casa de pedra, que explode suas belezas aos olhos de seus apreciadores. Conhecer este lugar mineiro é caminhar muito, se esvaindo e se enchendo da água e demais essências da natureza. Pelo próprio nome, Ibitipoca (fenda retorcida) já sugere ser um local repleto de grutas. Isto não deixa de ser a mais pura verdade. São dezenas, a maior parte delas fechada à visitação. Estas reentrâncias naturais nas pedras serviram de abrigo para os primeiros habitantes conhecidos, os índios Aracis (ou Araris). O pouco que se sabe deles é que eram relativamente pacíficos, o que contribuiu para seu desaparecimento quando da chegada dos mineradores. Da mineração surgiria, no final do séc. XVII, o lugarejo de Conceição de Ibitipoca. Os relatos mais antigos dizem respeito à bandeira do padre João de Faria Fialho, de Taubaté (SP), que registrou a passagem pelo monte de "Ebitipoca" em seu roteiro de viagem pelas minas de ouro (1692). Em 1764 o lugarejo, que durante muitos anos foi um dos mais importantes de Minas, recebeu a visita do governador da capitania. Velho Cruzeiro no alto da serra A igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca serve como marco na história do distrito. Provavelmente começou a ser construída em 1692. Em sua fachada consta o ano de 1768, que podemos deduzir como a data da sua conclusão. O fim do ciclo do ouro determinou o começo de um longo período de estagnação econômica para Ibitipoca, que viu sua população cair consideravelmente. O distrito começou a viver da agricultura, uma atividade pouco rentável devido à má qualidade do solo para o plantio. Mesmo sem o ouro, Ibitipoca continuou sendo visitada por diversas expedições científicas. No séc. XIX o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, em suas incursões pelo Brasil, esteve em Ibitipoca e ficou impressionado com o que viu. Sua admiração veio seguida de um lamento, já que estava marcada sua viagem de volta a Paris. "A vista dos belos campos que se apresentam hoje aos meus olhares, não pude deixar de sentir verdadeiro aperto de coração, pensando que logo os deixarei para sempre." As expedições científicas acontecem até hoje, comprovando a importância ecológica da serra. Ruínas da Capela Senhor Bom Jesus da Serra Além de servirem aos índios, as grutas de Ibitipoca também foram abrigo para os muitos viajantes que perambularam por Minas em diferentes épocas. A gruta dos Viajantes é um bom exemplo disso. Outro lugar interessante é a gruta do Fugitivo, que possui um grande espaço interno. Em 1912 foram encontradas perto dela as ruínas de um antigo refúgio de escravos. Acredita-se que existiam vários na serra, formados por negros fugidos dos engenhos de açúcar da região. Negros também são os andorinhões-de-coleira-falha, uma espécie de pássaro migratório que hoje utiliza a gruta. Eles viajam milhares de quilômetros, vindos da América do Norte, até chegarem a Ibitipoca. Têm bom gosto, vale a pena a longa jornada. O pico do Pião e o Cruzeiro são pontos turísticos que revelam um pouco da religiosidade do povo de Ibitipoca. O morro do Cruzeiro é um local de peregrinação, além de um excelente mirante, de onde se tem uma vista frontal da Lombada. A capela do Senhor Bom Jesus da Serra, próxima ao Pião, foi construída na década de 30, motivada pela realização de uma missa que reunira ali todo o povo da região. Talvez devido ao difícil acesso a igreja acabou abandonada e entregue à ação poderosa dos ventos, das chuvas e dos raios. Hoje existem apenas ruínas, que servem como exemplo da força natural que esculpiu as rochas da serra. O templo, mesmo abandonado, foi usado pela Igreja em sua tentativa de se apoderar das terras, então devolutas, na época da criação do parque estadual. Em 1965 foi iniciado o processo de demarcação de toda a região. Um levantamento preliminar indicou que Ibitipoca não tinha vocação para agricultura, pecuária e mineração. O caminho encontrado foi o turismo, tendo em vista seu alto potencial natural. No primeiro semestre de 1973 foi criado o parque estadual, para o deleite de aventureiros de todas as partes do Brasil e do mundo. Em épocas de alta temporada, Ibitipoca chega a receber mais de 2 mil visitantes, num único fim de semana. Ricas. A fauna e a flora de Ibitipoca são um exemplo primoroso da adaptação de espécies aos campos de altitude. Tanto é assim que algumas delas são endêmicas, ou seja, só encontradas ali, no cenário idílico da serra. O lugar que tanto impressionou o naturalista francês Saint-Hilaire, no ano de 1822, tinha muito mais do que belas paisagens. Era e é recheado de vida, de movimento. Bromélias, orquídeas, sempre-vivas, líquens, quaresmeiras, candeias... Muitas vezes estas belezas não são vistas pelo visitante, por estarem fora das rotas abertas para o turismo. Mesmo assim um olhar mais atento revela a sua presença, que faz a alegria de especialistas do mundo inteiro. Afinal são mais de 800 espécies botânicas. Basta dizer que vários exemplares da flora da serra foram levados para herbários em todo o planeta. O fato de algumas espécies permanecerem em pontos fechados do parque garante sua preservação da convivência perigosa com o bicho-homem. A Boca-de- Peixe, o líquen Cladonia ibitipocae, o cacto Anthocereus melaneus e a bromélia Wittrockia ibitipocensis são endêmicos. Bromélia Grilo Brasileirinho Ibitipoca é um refúgio para muitos animais, alguns inclusive ameaçados de extinção. Cerca de 210 espécies de aves vivem na área do parque, dividindo espaço com a onça parda, a jaguatirica, o lobo-guará, o porco-do-mato, a paca, coelho-do-mato... O fim de tarde é um espetáculo de sons e sensações, quando os pássaros, como os papagaios, fazem um alvoroço. O vôo esquisito dos tucanos, de árvore em árvore, confere mais cor ao poente. Os macacos formam um capítulo à parte: o monocarvoeiro (o maior das Américas), o mico-estrela, o macaco-prego, suás, o barbado etc. A Hyla ibitipoca é uma perereca descoberta no parque, que depois se provou não ser endêmica. O gafanhoto Brasileirinho, que possui uma coloração bem exótica, virou um símbolo. Ponte de Pedra Cachoeirinha Merece destaque ainda o Peripatus acacioi, uma mistura de inseto e minhoca que mantém suas características há milhões de anos, sobrevivendo às mais drásticas mudanças climáticas sofridas pelo planeta. O trabalho de preservação de todas estas espécies não é nada fácil. Por ter uma área reduzida, é muito comum alguns animais ultrapassarem os limites do parque, tornando-se alvo fácil para caçadores. Uma solução seria a ampliação desta área de proteção. Para perceber melhor a riqueza do parque, nada melhor que conhecimento. Visando preparar o turista para este contato com a natureza local, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), responsável pelo parque, mantém um Centro de Informações e Educação Ambiental. Visite-o antes de se deliciar com as maravilhas de Ibitipoca. Os quatro elementos da natureza esculpiram em Ibitipoca o que há de mais primoroso e belo. Com altitudes que variam de 1.050 a 1.784 metros, o parque é cercado por penhascos, que desempenham um importante papel na sua preservação, isolando-o de animais de fora e caçadores. Alguns geólogos acreditam que num passado muito distante toda a área foi fundo de mar. A presença de areia reforça esta tese. Além disso o quartzito, farto na região, nada mais é que o resultado da transformação de rochas sedimentares depositadas há bilhões de anos. Seja como for o tempo foi caprichoso na construção do paraíso que hoje fascina a todos. O trabalho lento e paciente da natureza continua, escavando a rocha num processo de construção e destruição. Ibitipoca é um universo em eterno movimento. Milhões de anos deram origem a cânions e paredões impressionantes. Os desníveis tornam as quedas d'água espetaculares e abundantes. Para onde quer que se olhe lá estão elas, convidando ao deleite e ao descanso. As águas levam sedimentos, vegetais e minerais, que se descolam das rochas. Têm por isso uma coloração avermelhada e não possuem peixes. Estudiosos de várias partes do mundo estiveram em Ibitipoca para estudar sua geografia, que agora encanta também aos turistas, que chegam em levas cada vez maiores. Gruta do Monjolinho Gruta do Cruzeiro Rio do Salto Ventos constantes cortam as serras e adentram pelas escarpas do parque. é como uma terra que se abre, que estoura... Tem-se aí a explicação para uma das versões do nome Ibitipoca: "serra da ventania". Por cima ou por baixo da terra, várias são as opções para os aventureiros. Mirantes fabulosos, como o da Lombada (1784m), estão em uma das porções mais altas da serra da Mantiqueira. O pôr do sol é inesquecível! Caminho Tchibum Dentro da terra Ibitipoca revela sua outra face, oculta. Afinal é aqui um dos principais distritos espeleológicos de quartzito de Minas. Com quase três quilômetros de extensão, a gruta das Bromélias é considerada pela Sociedade Brasileira de Espeleologia como a segunda maior caverna de formação quartzítica do mundo. Até hoje foram cadastradas 15 grutas no parque, das quais apenas oito são indicadas para visitação turística. Mas ainda há o que descobrir e ser estudado. Por estas e outras qualidades Ibitipoca se firma como um dos paraísos ecológicos mineiros, fascinando estudiosos, aventureiros e simples admiradores da natureza. |

